Vem aí o novo endereço da Internet

Uma das grandes características da Internet é a possibilidade de comunicação entre duas máquinas quaisquer que estejam conectadas na grande rede. Isto só é possível porque cada dispositivo ligado a Internet possui um endereço único, também conhecido com endereço IP. Atualmente este endereço possui 32 bits que são distribuídos em 4 bytes, o que dá origem aqueles quatro números separados por pontos que encontramos em muitas configurações de rede como por exemplo o 192.168.1.1.

Apesar de possuir um grande número de combinações, o que permite identificar um enorme quantidade de computadores conectados, o crescimento da Internet surpreendeu seus criadores e agora os endereços disponíveis estão acabando. Pode-se dizer que este esquema de endereçamento até que durou muito pois foi criado no final da década de 60 e está em uso até hoje.

E agora? O que fazer? Será que a Internet ficará limitada aos endereços disponíveis? Nada disto. O endereço IP hoje em uso está na versão 4 ou também conhecido como IPv4. Para corrigir este e outros problemas do IPv4 foi criado uma nova versão, conhecida como 6 ou IPv6. Mas quais são as vantagens desta nova versão?

A principal vantagem está no número de máquinas que podem ser identificadas na Internet. O endereço passou dos 32 bits (IPv4) para 128 bits (IPv6) o que permite a distribuição de mais de dez bilhões de endereços IP para cada metro quadrado do planeta. Uma quantidade e tanto não? A situação é similar ao que aconteceu com as placas dos automóveis quando foi necessária a inclusão de mais uma letra, passando de duas letras e quatro números para as atuais três letras e quatro números.

Outra vantagem está na segurança da rede. O IPv4 foi criado em uma época em que existia pouca ou nenhuma preocupação com a segurança, situação muito diferente de hoje. Desta forma o IPv6 já nasceu com uma série de bloqueios e recursos para, por exemplo, impedir o ataque de Spoofing onde um internauta envia uma mensagem se fazendo passar por outra pessoa.

Mas não foi só a segurança que mudou com o tempo, atualmente o conteúdo da Internet também está muito diferente. No início a Internet transportava basicamente informações de texto, muito diferente dos vídeos, fotos, músicas e ligações telefônicas de hoje. Para dar um tratamento adequado e este tipo de tráfego o IPv6 também possui vários controles bastante eficientes.

Atualmente praticamente todos os sistemas operacionais já suportam o IPv6. O problema está nos roteadores (ou modems que funcionam como roteadores), switches, impressoras de rede e Access Points. Estes equipamentos irão necessitar de atualizações para poder entender o novo IP. Fique atento quando for adquirir um destes produtos para saber se eles já suportam a nova versão do IP.

A migração do IPv4 para o IPv6 é uma grande evolução para a rede mas vai precisar de cuidados.

Gilberto Sudré

Gilberto Sudre

Perito e Assistente Técnico em Computação Forense. Professor do IFES e coordenador do Laboratório de Pesquisa em Segurança da Informação e Perícia Computacional Forense.. Coordenador do Cisco Academy Support Center Ifes-ASC. Instrutor da Academia Cisco. Instrutor da Academia de Polícia do ES na área de Computação Forense. Professor da EMERJ - Escola da Magistratura do Estado do Rio de Janeiro no Curso de Aperfeiçoamento de Magistrados – Cibercrimes. Membro da Sociedade Brasileira de Ciências Forenses. Membro da HTCIA - High Technology Crime Investigation Association. Membro do Comitê Técnico CB21/CE27 - Tecnologia da Informação – Técnicas de Segurança da ABNT (Associação Brasileira de Normas técnicas). Membro fundador do DC5527, grupo local da Conferência Internacional de Segurança da Informação DEF CON. Comentarista de Tecnologia da CBN e TV Gazeta. Autor dos livros Antenado na Tecnologia e Redes de Computadores e co-autor dos livros Internet: O encontro de 2 Mundos, Segurança da Informação: Como se proteger no mundo Digital, Marco Civil da Internet, Processo Judicial Eletrônico e Tratado de Computação Forense.

Website: http://gilberto.sudre.com.br

2 Comentários

  1. Leonardo

    Muito bom o texto, de muita utilidade.
    Eu só gostaria que esclarecesse duas dúvidas que surgiram no decorrer do texto.

    Em relação aos roteadores, fazer uma atualização do IOS já será necessária para rodar o IPv6? Se não e existir, qual a melhor forma de resolver?

    O que acontecerá, por exemplo, com impressoras? Vou poder usar as mesmas?

    Obrigado.
    E mais uma vez, parabéns.

    • Olá Leonardo,

      Muito obrigado pela visita e pelas palavras.

      Quanto as suas dúvidas vamos lá..

      Alguns IOSs hoje já são compatíveis com o IPv6. Para aqueles roteadores que ainda não tem IOS compatível é necessário checar a possibilidade de upgrade para uma versão que aceite o novo IP. Algumas características do roteador como capacidade de memória ou processador podem impossibilitar o upgrade.

      O mesmo acontece com impressoras e outros ativos de rede. Para suportar o IPv6 deve acontecer algum tipo de upgrade (caso o equipamento não suporte).

      Um forte abraço

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